No dia 15 de julho de 2016 a Netflix lançou a série Stranger Things. Durante os primeiros 16 dias, em média 500 mil pessoas assistiram a série diariamente. Nos 35 primeiros dias a Netflix chegou a 14 milhões de acessos a série. Os acessos eram de adultos entre 18 e 49 anos.
Esses números só foram possíveis de serem alcançados graças ao Big Data. O projeto Stranger Things e Big Data deu tão certo que vamos analisá-lo nesse artigo.
O uso do Big Data e da Inteligência Artificial pela Netflix na produção de séries não começou com Stranger Things, mas sim com House of Cards. A primeira produção original da Netflix só foi lançada pois através de Inteligência Artificial identificaram padrões de comportamento dos assinantes da plataforma que mostravam alto interesse pela série original dos anos 90, pelo diretor David Fincher e pelo ator Kevin Spacey.
Então a Netflix comprou os direitos da série original, contratou o diretor David Fincher e o ator Kevin Spacey. Em outras palavras a Netflix só criou o produto que seus cliente queriam comprar. Certeza de sucesso antes mesmo de ser lançado.
Vamos ver mais detalhes de House of Cards em outro artigo, neste vamos mergulhar em Stranger Things:
Dividimos este artigo em 5 partes:
- Como a Netflix Analisa Você
- A importância dos Dados para Netflix
- Stranger Things e o Big Data
- O Poder do Big Data
- Curiosidade
1 – Como a Netflix Analisa Você
Quando você assinante está logado, seus dados estão sendo coletados. Existem pontos estrategicamente pensados para entender seu comportamento dentro da plataforma. A Netflix tem em seu cotidiano a Cultura Analítica, onde a essência são as pessoas, no caso da Netflix a essência são os assinantes.
Com isso em mente a Netflix faz de tudo para entregar o máximo de valor a seu assinante, pois só uma boa experiência faz com a assinatura seja renovada por mais um mês.
Para que esse desafio – neste caso a renovação – seja vencido, a cada mês diversos dados são coletados para que a inteligência artificial faça análises e a plataforma ofereça o melhor serviço possível.
Alguns de seus dados que alimentam o Big Data da Netflix:
- Avaliação dos Filmes
- Buscas por títulos
- Dia em que o filme/série foi assistido
- Qual o dispositivo (celular, tablet, computador, smartTV, etc) usado
- O tipo de conteúdo assistido por determinado dispositivo
- Quando um filme/série é pausado
- Frequência em que um filme/série é pausado
- Tempo que um filme inicia depois que o botão “começar” é clicado
- Se o crédito no final do filme é pulado ou assistido
- Quantas vezes um filme ou cena é assistido pelo mesmo assinante
- etc
2 – A Importância dos Dados para Netflix
Esse volume colossal de dados (conhecido como Big Data) coletado de todos os quase 120 milhões de assinantes, são enviados aos cientistas de dados. Esses profissionais são os responsáveis por cruzar todos os dados e extrair informações comportamentais dos assinantes.
Os cientistas de dados também são os responsáveis por desenvolver fórmulas estatística que refinam os algorítimos da Inteligência Artificial. Esse é o processo que faz com que 80% das recomendações sugeridas pela plataforma sejam aceitas pelos assinantes.
Através dessa análise a inteligência sabe que uma pessoa entre 30 e 40 anos que assistiu a Firefly, Star Trek the Next Generation ou Battlestar Galactica provavelmente vai gostar de Killjoys quando for recomendado.
3 – Stranger Things e o Big Data
Falando especificamente sobre Stranger Things, o Big Data ajuda a Netflix desde a concepção até as campanhas de marketing.
A Inteligência Artificial identificou que grande parte dos assinantes consumiam conteúdos com referencias aos anos 80. Filmes como ET, Alien, Carrie, Poltergeist, Goonies, Contatos Imediatos de Terceiro Grau e a série Além da Imaginação tinham alto número de visualizações, pesquisas e avaliações positivas na plataforma.
Após pesquisas mais aprofundadas, foi identificado que se fosse produzido uma série que misturasse itens clássicos do cinema dos anos 80, a chance de sucesso seria alta.
Criação dos Personagens de Stranger Things
Stranger Things e Big Data foi levado tão a sério que até a escolha de alguns atores como Winona Ryder e Matthew Modine foram feitos com base nas análises. Ambos atores atuaram em filmes de sucesso nos aos 90. Filmes estes que obviamente eram bem avaliados na plataforma.
A Netflix sabia que você iria se identificar com pelo menos um dos personagens da série, pois seus dados mostram do que você gosta. A criação dos personagens também se deve ao Big Data. A Netflix estudou cada detalhe e garantiu que a série tivesse personagens incríveis. Personagens que eles sabiam que tocariam as pessoas de alguma forma de acordo a personalidade de cada um.
Um fator de grande sucesso de Stranger Things é a alta abrangência da idade do público. Se você tem 40 anos, a série faz com que você se lembre da sua infância. Se você tem 60 anos, essa série faz com que você lembre da infância dos seus filhos. Se você é uma criança ou adolescente, a série se torna conteúdo retrô.
4 – O Poder do Big Data
O sucesso das produções próprias da Netflix está diretamente ligado ao uso do Big Data. Isso é fato. Stranger Things e Big Data eliminaram qualquer questionamento sobre o assunto. É impossível imaginar que a Netflix irá produzir um novo conteúdo sem consultar os dados primeiro.
Quando adotamos uma Cultura Analítica em nossa empresa, é possível entender melhor as tendências e preferências de nosso clientes ou assinantes. Onde o objetivo em entender o que seu público realmente quer.
A Netflix acompanha em tempo real o que as pessoas falam sobre cada episódio de cada série nas principais redes sociais. Esse processo da base aos produtores melhorarem os conteúdos e a criarem novos roteiros, cenas e falas. Tudo para atender às expectativas dos assinantes.
Esse acompanhamento mostra à Netflix em qual episódio o assinante se tornou fã da série. Por exemplo em House of Cards o episódio que conquistou o público foi o número 3. The Walking Dead ganhou o público no episódio número 2.
5 – Curiosidade
Você sabia que dependendo da conta que você acessa a plataforma a avaliação dos filmes e série mudam? O número de estrelas não é uma média da avaliação de todos os assinantes do filme. A Inteligência Artificial faz diversos cruzamentos dos seus dados e mostra qual a chance de gostar daquele conteúdo.
Ou seja, o número de estrelas varia de acordo com o seu comportamento na plataforma. O mesmo filme pode ter 4 estrelas para você e 2 estrelas para mim, pois e seu comportamento é diferente do meu.
Conclusão
Mais uma vez o que a Netflix fez foi o obvio. Ela criou um produto que seu público queria comprar. Esse é um dos principais benefícios que o Big Data e consequentemente a Cultura Analítica traz. Esse poder de entender seu público para só então criar um produto não é exclusivo da Netflix. Qualquer empresa do mundo pode fazer o mesmo.
Colete os dados mais importante de seus clientes. Analise esses dados. Entenda o comportamento dos seus clientes. Com esse processo sendo feito diariamente, você empresário ou gestor poderá melhorar os produtos já oferecidos e criar novos produtos para seu público.